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domingo, 7 de dezembro de 2025

ASMA EM IDADE PEDIÁTRICA, COMO TRATAR?

A asma controlada significa vida normal para o seu filho. Sem limitações. Sem urgências desnecessárias. Sem noites mal dormidas. 😴

Mas para isso é essencial compreender como os medicamentos funcionam e, principalmente, como usar corretamente os dispositivos inalatórios. Este guia desmistifica tudo! 📋


⚠️ PRINCÍPIO FUNDAMENTAL ⚠️


Segundo as diretrizes internacionais GINA 2024 e 2025, TODOS os doentes com asma devem receber tratamento contendo corticoides inalados, mesmo em crises agudas. O tratamento apenas com broncodilatadores isolados aumenta o risco de exacerbações graves. 


💉 OS DOIS TIPOS DE MEDICAÇÃO 💉


🌬️ Medicamentos de Alívio Rápido (Resgate)


Para usar QUANDO surgem sintomas:

✅ Relaxam rapidamente o músculo liso das vias respiratórias

✅ Atuam em MINUTOS (2-5 minutos) ⏱️

✅ Usam-se para sintomas súbitos (pieira, tosse, falta de ar)

✅ Podem ser usados antes do exercício, se necessário 🏃


⚠️ IMPORTANTE: Este medicamento trata os sintomas MAS NÃO trata a inflamação subjacente.


🔔 Se o seu filho necessita de broncodilatador mais de 2 vezes por semana, significa que a asma NÃO está bem controlada!


🛡️ Medicamentos Controladores (Preventivos)


Para usar DIARIAMENTE, mesmo quando a criança se sente bem:

✅ Corticoides inalados (budesonida, fluticasona): reduzem a inflamação das vias respiratórias

✅ Doses baixas são SEGURAS e eficazes para a maioria das crianças

✅ Tomam-se diariamente, todos os dias, sem exceção 📅

✅ Inaladores combinados (ICS-LABA): contêm corticoide + broncodilatador de longa ação

✅ Montelucaste (oral): alternativa ou terapia adjuvante


🚀 CÂMARAS EXPANSORAS: ABSOLUTAMENTE ESSENCIAIS 🚀


Se o seu filho usa inalador pressurizado (MDI), a câmara expansora é FUNDAMENTAL:


✨ Eliminam o problema de coordenação mão-pulmão

📈 Aumentam a deposição pulmonar de <20% para 30-40%

🎯 Reduzem efeitos secundários

💪 Funcionam tão bem como nebulizadores

👶 Permitem respiração corrente em crianças pequenas


🚨 Em pediatria, o uso direto na boca dos inaladores pressurizados NÃO é recomendado – devem SEMPRE ser utilizados com câmara expansora!


👶 COM MÁSCARA OU COM BUCAL? 👶


COM MÁSCARA FACIAL:

✅ Até aos 4 anos: sempre com máscara

✅ Dos 4 anos à adolescência: podem continuar com máscara se preferirem

✅ A máscara deve ficar bem adaptada ao nariz e boca, sem fugas


COM BUCAL:

✅ A partir dos 4 anos: podem começar a usar bucal se colaborarem

✅ Mais eficaz que a máscara (melhor deposição pulmonar)

✅ Requer que a criança consiga morder o bucal e respirar corretamente


💡 O importante é que a criança se sinta confortável e a técnica seja bem executada!


🔧 TÉCNICA CORRETA: PASSO A PASSO 🔧


COM MÁSCARA FACIAL (< 4 anos):


1️⃣ Criança calma, sem chorar (pode estar a dormir) 😴

2️⃣ Posição sentada, câmara na horizontal

3️⃣ Agitar o inalador 4-5 vezes

4️⃣ Adaptar o inalador à câmara em posição "L"

5️⃣ Adaptar bem a máscara à boca e nariz, evitando fugas

6️⃣ Pressionar o inalador UMA vez

7️⃣ Manter a máscara bem adaptada durante 5-6 respirações (20-30 segundos)

8️⃣ Se necessária outra dose, esperar 30-60 segundos e repetir

9️⃣ Lavar a boca após inalação de corticoides 💧


COM BUCAL (≥ 4 anos):


1️⃣ Agitar o inalador 4-5 vezes

2️⃣ Inserir no espaçador

3️⃣ Colocar entre os lábios fechados (dentes e língua não devem obstruir)

4️⃣ Pressionar UMA vez

5️⃣ Respirar lenta e profundamente OU fazer 5-6 respirações correntes

6️⃣ Segurar respiração 10 segundos ⏱️

7️⃣ Esperar 30-60 segundos antes do próximo puff

8️⃣ Lavar a boca após corticoides 💧


❌ ERROS MAIS COMUNS (EVITE-OS!) ❌


Com câmara expansora:

❌ Fugas na máscara facial

❌ Não manter a máscara adaptada tempo suficiente

❌ Administrar medicação com a criança a chorar

❌ Carregar várias doses ao mesmo tempo na câmara

❌ Não agitar o inalador antes de usar


Com inaladores em geral:

❌ Não esperar 30-60 segundos entre inalações

❌ Inspiração demasiado rápida

❌ Não lavar a boca após corticoides


💡 A demonstração repetida da técnica inalatória está associada a uma redução significativa da taxa de erro!


🧼 MANUTENÇÃO DA CÂMARA EXPANSORA 🧼


Limpeza semanal a mensal:

1️⃣ Desmontar as peças possíveis

2️⃣ Colocar em recipiente com água morna e detergente (2 gotas/litro)

3️⃣ Deixar submerso 15 minutos a 1 hora

4️⃣ NÃO esfregar nem secar com pano – deixar secar ao ar na posição vertical ☀️

5️⃣ A fina camada de detergente que permanece ajuda a reduzir a eletricidade estática

6️⃣ Substituir a câmara anualmente


💡 A prescrição de câmaras expansoras é comparticipada em 80% do valor, sendo possível prescrever uma por ano por paciente! 💰


❌ MITOS PERIGOSOS SOBRE MEDICAÇÃO ❌


❌ MITO: "Os corticoides inalados atrasam o crescimento"

✅ VERDADE: Os efeitos no crescimento são PEQUENOS e clinicamente INSIGNIFICANTES. A altura adulta final NÃO é afetada. Os benefícios superam LARGAMENTE os riscos mínimos. 📏


❌ MITO: "Vou dar o medicamento apenas quando a criança tem sintomas"

✅ VERDADE: Os medicamentos controladores PREVINEM sintomas. Usar apenas medicação de alívio deixa a inflamação a danificar os pulmões. 🔥


❌ MITO: "Se a criança não tem sintomas, não precisa medicação"

✅ VERDADE: A inflamação está presente MESMO sem sintomas óbvios. Continuar diariamente protege os pulmões. 💪


🎯 ESTRATÉGIAS PARA GARANTIR ADESÃO 🎯


1. Associe a medicação a uma rotina:

✅ Sempre no mesmo local e à mesma hora ⏰

✅ Sempre após uma atividade (ex: escovagem de dentes) 🪥


2. Crie responsabilidade partilhada:

✅ Crianças mais velhas ajudam a preparar

✅ Use tabelas de acompanhamento 📊

✅ Celebre os "dias verdes" 🎉


3. Torne positivo, não punitivo:

✅ "Este medicamento deixa-te correr mais rápido!" 🏃

✅ "Protege os teus pulmões"

✅ Nunca use como punição 🚫


4. Mantenha inalador acessível:

✅ Em casa, escola, mochilas 🎒

✅ Tenha sempre cópia do plano de ação


📊 ASMA BEM CONTROLADA SIGNIFICA 📊


✅ Zero ou mínimos sintomas diurnos

✅ Zero despertares noturnos 🌙

✅ Participação plena em desportos e atividades ⚽

✅ Função pulmonar normal ou quase normal

✅ Uso mínimo de medicação de alívio

✅ Zero ou raras visitas às urgências 🏥


Se o seu filho não está assim, fale com o pediatra sobre ajustar o tratamento. 📞


💝 MENSAGEM FINAL 💝


O sucesso do tratamento da asma depende de dois pilares fundamentais:

1️⃣ Medicação consistente, todos os dias

2️⃣ Técnica inalatória correta


A medicação funciona. Mas APENAS se usada consistentemente e da forma correta. Este é o segredo para uma criança com asma ter uma vida absolutamente normal. ✨


Bom controlo = vida normal = futuro brilhante 🌈


💬 PARTILHE A SUA EXPERIÊNCIA 💬


Que dispositivo utiliza com o seu filho? Tem dificuldades com a técnica? Como garante a toma diária da medicação? Partilhe nos comentários – pode ajudar outros pais! 💚


📚 REFERÊNCIAS 📚


📘 Global Initiative for Asthma (GINA) – Diretrizes 2024 e 2025

📘 Direção-Geral da Saúde (DGS) – Normas sobre Asma

📘 Sociedade Portuguesa de Pneumologia – Recursos educativos

📘 Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica


💚 C: Kids – Blogue da Clínica Pediátrica Coronado

✅ Informação fiável sobre saúde infantil para pais e cuidadores

🔗 https://pediatricacoronado.blogspot.com/


Este conteúdo tem fins educativos e não substitui consulta médica. Consulte sempre o pediatra do seu filho. ✅

sábado, 29 de novembro de 2025

ASMA? O QUE É? COMO RECONHECER?

A asma é uma das doenças crónicas mais comuns na infância, mas a boa notícia é que, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria das crianças pode ter uma vida completamente normal!  Este guia ajuda-o a reconhecer os sinais que não deve ignorar.

📊 A REALIDADE EM PORTUGAL 📊

Em Portugal, a asma afeta 8,4% das crianças e adolescentes — aproximadamente 175 mil jovens. 😟 Infelizmente, metade destas crianças não tem a doença adequadamente controlada, o que resulta em mais de 500 mil dias de escola perdidos por ano.

Mas há esperança! ✨ Com diagnóstico precoce e tratamento correto, a grande maioria das crianças com asma pode participar plenamente em todas as atividades e ter qualidade de vida excelente.


🫁 O QUE É A ASMA? 🫁

A asma é uma doença inflamatória crónica das vias respiratórias que se caracteriza por episódios recorrentes de dificuldade respiratória. Durante uma crise asmática, três alterações simultâneas dificultam a respiração:

1. Broncoconstrição 💪 — O músculo liso que envolve os brônquios contrai, estreitando as vias aéreas

2. Inflamação 🔥 — As paredes das vias aéreas incham

3. Hipersecreção de muco 💧 — Produção de muco espesso que obstrui as passagens de ar

Esta combinação provoca os sintomas característicos: pieira, tosse, falta de ar e aperto no peito.


🧬 PORQUE ACONTECE? FATORES DE RISCO 🧬

👨‍👩‍👧 Predisposição Genética

Crianças com pais ou familiares com asma, alergias, eczema ou rinite alérgica têm risco substancialmente aumentado. ⚠️

Importante: Isto NÃO significa que a criança terá asma com certeza — significa apenas que tem predisposição genética que pode ou não manifestar-se.

🌪️ O Que Desencadeia as Crises?

1. Alergénios Domésticos 🏠

Ácaros do pó: Vivem em colchões, almofadas, sofás e tapetes — são o alergénio mais comum e importante

Pelos de animais: Especialmente gatos e cães (curiosidade: o alergénio de gato encontra-se na maioria das casas portuguesas mesmo sem animal presente!)

Baratas e roedores: Os alergénios de ratazanas representam atualmente o alergénio urbano mais relevante

Mofo: Prospera em ambientes húmidos e pode levar ao desenvolvimento de asma

2. Infeções Virais — A Causa Mais Comum 🦠

Cerca de 75% das crianças com asma têm exacerbações desencadeadas por vírus:

Rinovírus (constipação comum) — o desencadeador viral mais frequente

Vírus Sincicial Respiratório (VSR) — pode causar bronquiolite em bebés

Vírus da gripe

3. Tabagismo Passivo — Completamente Evitável 🚭

O fumo de tabaco é extremamente prejudicial:

A exposição pré-natal aumenta o risco de asma em 30-85%

A exposição pós-natal aumenta o risco em 24-70%

O fumo contém mais de 7.000 químicos, incluindo 70 carcinogénicos

NUNCA fume dentro de casa ou no carro. Sem exceções. 🚫🏠🚗

4. Outros Desencadeadores ⚡

Exercício físico vigoroso, especialmente em ar frio 🏃

Poluição atmosférica (interior e exterior) 🏭

Ar frio e mudanças súbitas de temperatura ❄️

Emoções fortes (rir, chorar, gritar) 😂😭

Odores intensos (tintas, produtos de limpeza, perfumes) 🧴 

🔍 SINAIS QUE DEVE RECONHECER 🔍

🌬️ Pieira ou Sibilância

Som agudo semelhante a um assobio quando a criança expira.

⚠️ Nem todas as crianças com asma têm pieira!

DICA: Grave o som no telemóvel para mostrar ao médico. 📱🩺

😷 Tosse Persistente

Especialmente noturna e matinal. Pode ser o único sinal óbvio de asma.

Características que alertam:

Dura mais tempo que a tosse de constipações típicas (mais de 2-3 semanas) ⏰

Piora com exercício, riso ou ar frio 🏃

Frequentemente interrompe brincadeiras ou sono 😴

😤 Dificuldade Respiratória

Sensação de não conseguir ar suficiente.

Em bebés, fique atento a: 👶

Dificuldade em mamar 🍼

Choro mais suave que o habitual 😢

Dilatação das narinas a cada respiração 👃

💔 Aperto no Peito

Descrito como sensação de pressão. Crianças mais novas podem dizer que o peito "está esquisito" ou "dói".

😮‍💨 Cansaço e Intolerância ao Exercício

Cansaço invulgar durante brincadeiras 🎮

Incapacidade de acompanhar outras crianças da mesma idade 👫

Paragens frequentes para descansar 🛑

🌙 Padrão Típico

Os sintomas são tipicamente PIORES:

À noite 🌙

De manhã cedo ☀️

Variam ao longo do tempo e MELHORAM com broncodilatador de ação rápida. 💨 


⚠️ QUANDO CONSULTAR O PEDIATRA? ⚠️

Contacte o pediatra se o seu filho apresentar:

🚨 Tosse que persiste mais de 2-3 semanas

🚨 Pieira recorrente

🚨 Falta de ar durante brincadeiras

🚨 Acordar à noite com tosse

🚨 Cansaço fácil durante atividades

🚨 Aperto no peito referido pela criança

🆘 URGÊNCIA — Ligue 112 se: 🆘

🚑 Dificuldade respiratória grave em repouso

🚑 Lábios ou extremidades azuladas

🚑 Incapacidade de falar frases completas

🚑 Sons de peito "silencioso" (pieira desaparece, mas respiração difícil — sinal grave!)

🚑 Cansaço extremo ou confusão

 

🩺 COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO? 🩺

O diagnóstico da asma varia conforme a idade da criança:

👶 Crianças com Menos de 5 Anos

Como não conseguem realizar testes de função pulmonar de forma fiável, o diagnóstico baseia-se em três critérios clínicos (GINA 2025):

1. ✅ Episódios recorrentes de pieira aguda

2. ✅ Ausência de causa alternativa provável

3. ✅ Resposta clínica a medicamentos para asma (ensaio terapêutico de 2-3 meses)

O médico avaliará cuidadosamente a história clínica e o padrão de sintomas recorrentes, excluindo outros diagnósticos.

🧒 Crianças dos 5 aos 11 Anos

Nesta idade, podem realizar testes objetivos:

1. Espirometria 🌬️📊

O teste fundamental que mede a função pulmonar

Identifica padrão obstrutivo característico da asma

Avalia o Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF₁)

2. Teste de Reversibilidade (Broncodilatação) 🔄

Espirometria antes e após broncodilatador

Aumento ≥12% no VEF₁ confirma que a limitação do fluxo aéreo é reversível

3. FeNO (Fração de Óxido Nítrico Exalado) 💨

Níveis elevados (>25-35 ppb) indicam inflamação eosinofílica das vias aéreas

Marcador útil de inflamação tipo 2

4. Peak Flow (Pico de Fluxo Expiratório) 📈

Mede a velocidade máxima de expiração

Variabilidade >13% sugere asma

Útil para monitorização em casa

👦 Adolescentes (≥12 anos)

Seguem os mesmos critérios diagnósticos dos adultos:

Espirometria com teste de broncodilatação 🌬️

FeNO (valores >40 ppb altamente sugestivos) 💨

Testes de provocação brônquica se espirometria normal com alta suspeita clínica 🧪

Peak Flow com variabilidade diurna 📊

 

🧪 OUTROS EXAMES AUXILIARES 🧪

Exames de Imagem:

Radiografia de tórax: Para exclusão de diagnósticos diferenciais, não necessária rotineiramente 📸

Testes Alérgicos:

Testes cutâneos (Prick test): Identificação de sensibilização alérgica 💉

IgE total e específica: Útil para diagnóstico de asma alérgica 🧬

Biomarcadores:

Eosinófilos sanguíneos: ≥300 células/μL indica inflamação tipo 2 🔬

Úteis para fenotipagem e orientação terapêutica

 

❌ MITOS PERIGOSOS QUE DEVE IGNORAR ❌

❌ MITO: "É só uma tosse, passa sozinha"

✅ VERDADE: A asma infantil não melhora sem tratamento. O atraso causa dano pulmonar permanente que não pode ser recuperado. ⚠️

❌ MITO: "As crianças vão ultrapassar a asma"

✅ VERDADE: Apenas 10-20% ficam permanentemente livres de sintomas. O controlo precoce melhora resultados significativamente. 👍

❌ MITO: "Asma ligeira não é grave"

✅ VERDADE: Toda a asma pode ser ameaçadora da vida. Um terço das mortes por asma ocorre em crianças com asma ligeira! 💔

 

🎯 PRÓXIMOS PASSOS 🎯

Se suspeita que o seu filho tem asma:

1. 📅 Agende consulta com o pediatra

2. 📝 Leve uma lista dos sintomas observados

3. 📱 Grave vídeos ou áudio de pieira se houver

4. ⏰ Registe padrões: quando pioram, quanto tempo duram

5. 👨‍👩‍👧 Mantenha registo de antecedentes familiares

Diagnóstico precoce = melhor controlo = vida normal para a criança! 🚀

 

💬 PARTILHE A SUA EXPERIÊNCIA 💬

Tem um filho com sintomas semelhantes? Como tem sido a sua experiência? Qual foi o primeiro sinal que notou? Partilhe nos comentários — a sua história pode ajudar outras famílias! 👥💚

 

📚 REFERÊNCIAS 📚

📘 Global Initiative for Asthma (GINA) — Diretrizes 2025

📘 Direção-Geral da Saúde (DGS) — Normas sobre Asma

📘 Sociedade Portuguesa de Pneumologia — Recursos educativos

📘 Estudo Epi-Asthma 2024 — Prevalência da asma em Portugal

 

💚 C: Kids — Blogue da Clínica Pediátrica Coronado

✅ Informação fiável sobre saúde infantil para pais e cuidadores

🔗 https://pediatricacoronado.blogspot.com/

Este conteúdo tem fins educativos e não substitui consulta médica. Consulte sempre o pediatra do seu filho. ✅





domingo, 5 de outubro de 2025

BRONQUIOLITE: O QUE OS PAIS PRECISAM DE SABER

 A bronquiolite é uma das principais causas de hospitalização em bebés durante o outono e inverno. Conhecer os sinais e saber como agir pode fazer toda a diferença para ajudar o vosso filho a recuperar bem.

O que é a Bronquiolite?

É uma infeção viral que afeta os bronquíolos (pequenos canais de ar nos pulmões), causando inflamação, inchaço e acumulação de muco que dificultam a respiração, especialmente nos mais pequenos.

Principal agente:

Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em 70-80% dos casos. Outros agentes: rinovírus, adenovírus, vírus da gripe.

Maior risco:

Bebés com menos de 6 meses
Prematuros
Doenças cardíacas ou pulmonares crónicas
Sistema imunitário enfraquecido

Exposição ao fumo do tabaco

Como reconhecer a Bronquiolite?

Começa como uma constipação e evolui em 2-3 dias:

Sintomas iniciais:

Corrimento nasal, tosse ligeira, febre baixa (nem sempre) 

Evolução (dias 3-5):

Tosse frequente e intensa
Respiração rápida e superficial
Pieira (som agudo tipo 'assobio')
Tiragem (afundamento do peito entre costelas)
Dificuldade em mamar/comer
Irritabilidade e sono agitado

Sinais de alarme - Procurar urgência:

Lábios ou unhas azulados
Pausas respiratórias (apneia)
Recusa alimentar
Sonolência excessiva
Respiração muito rápida (>60/minuto no bebé)
Gemido ao respirar

Desidratação: boca seca, sem lágrimas, <4 fraldas molhadas/dia

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico:

Essencialmente clínico (história e observação). Casos graves podem necessitar radiografia, teste viral ou oximetria.

Tratamento de suporte (antibióticos NÃO funcionam):

Em casa:

Hidratação frequente
Cabeça elevada 30o
Ambiente húmido
Limpeza nasal com soro antes de comer/dormir
Refeições pequenas e frequentes

Repouso

No hospital (casos graves):

Oxigénio suplementar
Hidratação endovenosa
Monitorização contínua

Aspiração de secreções

Não fazer:

Medicamentos para tosse sem indicação médica
Vaporizações não recomendadas
Fumar perto da criança

Suspender amamentação

Prevenção: como proteger o seu bebé?

Medidas gerais:

Lavagem de mãos
Evitar multidões no inverno
Ambiente sem fumo
Amamentação
Limpeza de brinquedos

Evitar contacto com doentes


VACINAÇÃO ANTI-VSR: A GRANDE NOVIDADE!

Desde 2024, Portugal dispõe do nirsevimab (Beyfortus®), anticorpo monoclonal que oferece proteção durante toda a época VSR.

Não é vacina tradicional, mas anticorpo que confere imunidade passiva imediata e prolongada.

A quem se destina:

Todos os RN e lactentes no 1o ano

Até 24 meses com fatores de risco

Quando:

Nascidos outubro-março: logo após nascimento
Nascidos fora época: antes início circulação vírus

Dose única

Eficácia comprovada:

70-80% redução hospitalizações
75% redução formas graves

Proteção ~5 meses (época completa)

No PNV desde setembro 2024 - GRATUITA!

Evolução habitual

Dias 1-3: início, tipo constipação

Dias 3-5: pico sintomas respiratórios
Dias 5-7: melhoria gradual

Semanas 2-4: resolução (tosse pode persistir)

2-3% necessitam internamento, especialmente <3 meses.

Cuidar em Casa - Dicas Práticas

Hidratação:

Líquidos frequentes (leite materno/fórmula/água). Mamadas mais curtas e frequentes se necessário.

Alimentação:

Pequenas refeições, não forçar, privilegiar líquidos se difícil comer sólidos.

Respiração:

Lavar nariz com soro antes refeições/sono, elevar cabeceira, ar húmido, evitar fumo/irritantes.

Monitorizar:

Frequência respiratória, cor lábios, fraldas molhadas, estado alerta.

Febre:

Paracetamol se desconforto (sob orientação), não agasalhar demais.

Bronquiolite vs. Asma

São condições diferentes que importa distinguir:

Bronquiolite:

É o primeiro episódio de doença respiratória com pieira, sibilância e dificuldade respiratória na infância, provocado por infeção viral. Antes da vacina anti-VSR, era causada maioritariamente pelo Vírus Sincicial Respiratório. Trata-se de um episódio agudo que, na maioria dos casos, não se repete.

Asma infantil:

Refere-se a episódios recorrentes de tosse, sibilância/pieira e dificuldade respiratória, de qualquer causa. O diagnóstico de asma pressupõe pelo menos 3 episódios em 12 meses. É uma doença crónica inflamatória das vias aéreas que requer acompanhamento e tratamento específico.

Relação entre ambas:

Alguns bebés que tiveram bronquiolite podem desenvolver episódios recorrentes de pieira posteriormente. Uma percentagem destes evolui para asma, mas a maioria não.

O acompanhamento pediátrico regular permite identificar precocemente quem beneficia de vigilância mais apertada e tratamento específico.

Conclusão

A bronquiolite é comum e a maioria das crianças supera sem complicações. O essencial é reconhecer os sinais precocemente, saber quando procurar ajuda médica, manter a calma e cuidar com amor.

O nirsevimab representa um avanço significativo na proteção dos bebés contra formas graves de bronquiolite. Fale com o pediatra sobre esta e outras formas de manter o vosso filho saudável.

Partilhem:


JÁ VIVERAM UMA SITUAÇÃO DE BRONQUIOLITE? TÊM DÚVIDAS SOBRE A VACINA ANTI-VSR? OS VOSSOS COMENTÁRIOS AJUDAM-NOS A CRIAR CONTEÚDOS ÚTEIS PARA TODA A COMUNIDADE.



Referências

Direção-Geral da Saúde - Orientações Bronquiolite Sociedade Portuguesa de Pediatria
American Academy of Pediatrics - Clinical Practice Guideline Programa Nacional de Vacinação 2024 

domingo, 17 de agosto de 2025

OTITE MÉDIA AGUDA: UM GUIA COMPLETO PARA PAIS E CUIDADORES

A otite média aguda (OMA) é uma das infeções mais comuns na infância e uma das principais causas de consultas pediátricas urgentes. Cerca de 90% das crianças terão pelo menos um episódio antes dos 3 anos de idade, sendo particularmente frequente entre os 6 meses e os 2 anos. Para muitos pais, o choro inconsolável de uma criança pequena durante a noite, especialmente após um resfriado, pode ser o primeiro sinal desta dolorosa condição. A otite média aguda não é apenas "uma dor de ouvidos" – é uma infeção bacteriana ou viral do ouvido médio que pode causar dor intensa, febre e, se não tratada adequadamente, complicações graves. Compreender os seus sinais, fatores de risco e opções de tratamento é fundamental para que os pais possam agir rapidamente e proporcionar alívio aos seus filhos.

O QUE É A OTITE MÉDIA AGUDA? 

Anatomia do Ouvido

Para compreender a otite média aguda, é importante conhecer a anatomia básica do ouvido. O ouvido divide-se em três partes:

  • Ouvido externo: inclui o pavilhão auricular e o canal auditivo
  • Ouvido médio: cavidade atrás do tímpano, contendo os pequenos ossos da audição
  • Ouvido interno: responsável pela audição e equilíbrio

A Trompa de Eustáquio: a Peça-Chave

A trompa de Eustáquio é um pequeno canal que liga o ouvido médio à parte posterior do nariz e garganta. A sua função é:

  • Equalizar a pressão entre o ouvido médio e o ambiente externo
  • Drenar secreções do ouvido médio
  • Proteger o ouvido médio de infeções

Nas crianças pequenas, a trompa de Eustáquio é:

  • Mais curta (apenas 1-2 cm vs. 3-4 cm nos adultos)
  • Mais horizontal
  • Mais estreita
  • Menos rígida

Estas características anatómicas fazem com que a trompa se obstrua mais facilmente, criando condições ideais para o desenvolvimento de infeções.


COMO SE DESENVOLVE A OTITE MÉDIA AGUDA? 

O Processo em 4 Etapas
  1. Infeção respiratória inicial: Vírus (rinovírus, vírus sincicial respiratório, influenza) infetam o nariz e garganta
  2. Inflamação e obstrução: A mucosa da trompa de Eustáquio inflama e obstrui
  3. Acumulação de secreções: Fluidos ficam "presos" no ouvido médio
  4. Sobreinfeção bacteriana: Bactérias multiplicam-se no fluido estagnado

Principais Agentes Causadores

Bactérias (60-70% dos casos):

  • Streptococcus pneumoniae (30-40%)
  • Haemophilus influenzae (20-25%)
  • Moraxella catarrhalis (10-15%)
Vírus (30-40% dos casos):
  • Vírus sincicial respiratório (VSR)
  • Rinovírus
  • Vírus da gripe
  • Adenovírus

SINAIS E SINTOMAS: COMO RECONHECER? 

Em Lactentes (< 2 anos)
  1. Choro intenso e inconsolável, especialmente à noite
  2. Irritabilidade extrema
  3. Febre (frequentemente > 38,5°C)
  4. Dificuldade em adormecer ou despertares frequentes
  5. Recusa alimentar ou dificuldade na sucção
  6. Puxar ou esfregar a orelha repetidamente 
  • Outros sinais:

    • Vómitos ou diarreia (por deglutição de secreções)
    • Perda de equilíbrio ao gatinhar ou andar
    • Corrimento do ouvido (se houver perfuração timpânica)
Em Crianças Maiores (> 2 anos)
  1. "Dói-me o ouvido" - dor latejante, intensa
  2. Sensação de ouvido "tapado"
  3. Diminuição da audição temporária
  4. Zumbidos no ouvido

            Sinais de Alarme: Quando Procurar Ajuda Urgente!

    1. Febre persistente > 39°C por mais de 48 horas
    2. Corrimento purulento do ouvido (possível perfuração timpânica)
    3. Inchaço ou vermelhidão atrás da orelha (possível mastoidite)
    4. Rigidez do pescoço
    5. Convulsões
    6. Alterações do estado de consciência
    7. Paralisia facial
FATORES DE RISCO:
Fatores Não-Modificáveis
  • Idade: 6 meses a 2 anos (pico de incidência)
  • Sexo masculino: risco 20% superior
  • Genética: antecedentes familiares de otites recorrentes
  • Prematuridade
Fatores Ambientais Modificáveis
  • Exposição ao fumo do tabaco (risco 2-3x maior)
  • Frequência de creche (risco 2-4x maior)
  • Época do ano: outono/inverno
  • Poluição atmosférica
  • Alergias respiratórias

Fatores Nutricionais e Sociais

  • Ausência de aleitamento materno
  • Uso prolongado da chupeta (> 12 meses)
  • Posição para mamar (horizontal aumenta risco)
  • Sobrelotação habitacional
  • Nível socioeconómico baixo

DIAGNÓSTICO: COMO O MÉDICO CONFIRMA?

Critérios diagnósticos (devem estar presentes):
  • Início súbito dos sintomas
  • Sinais de inflamação no ouvido médio 
  • Efusão (líquido) no ouvido médio

Diagnóstico Diferencial
O médico deve distinguir a OMA de:
  • Otite média serosa (sem infeção ativa)
  • Otite externa (infeção do canal auditivo)
  • Dor de ouvidos reflexa (amigdalite, problemas dentários)
  • Corpo estranho no ouvido

TRATAMENTO: ABORDAGEM MODERNA E BASEADA EM EVIDÊNCIA 

Estratégia de "Vigilância Ativa" vs. Antibióticos Imediatos
A decisão de tratar com antibióticos depende de:

Critérios para início de  tratamento com antibiótico:
  • Idade < 6 meses (tratar sempre!)
  • Idade 6-24 meses com doença bilateral
  • Qualquer idade com:
    • Otorreia (corrimento do ouvido)
    • Critérios de gravidade(febre ≥ 39°C, dor intensa)
    • Sinais de complicações

Critérios para Vigilância Ativa (48-72h)
  • Idade > 2 anos com doença unilateral ligeira
  • Ausência de sintomas sistémicos graves
  • Pais capazes de monitorizar adequadamente
  • Fácil acesso a cuidados médicos

Antibióticos de Primeira Linha

Amoxicilina (primeira escolha):

  • Dose: 80-90 mg/kg/dia, dividida em 2-3 tomas
  • Duração: 7 a 10 dias
  • Vantagens: eficaz, segura, bem tolerada, baixo custo

Amoxicilina + Ácido Clavulânico (se falência terapêutica):
  • Indicada se não melhoria em 48-72h
  • Cobre bactérias produtoras de beta-lactamase

Alternativas (se alergia à penicilina):

  • Cefuroxima
  • Azitromicina
  • Claritromicina

Tratamento Sintomático: Alívio da Dor Analgésicos/Antipiréticos

  • Paracetamol: 10-20mg/kg/dose, 6/6h
  • Ibuprofeno: 5-10 mg/kg/dose, 8/8h
  • Calor local: compressa morna (não quente!)
  • Posição: elevar ligeiramente a cabeça para dormir
  • Hidratação adequada
  • Ambiente calmo
  • “NÃO!”:

    • Gotas auriculares ou Antibióticos sem prescrição
    • Aspirina em crianças (risco de síndrome de Reye)

COMPLICAÇÕES: QUANDO AS COISAS CORREM MAL 

Complicações Frequentes (1-5%)

  • Perfuração timpânica: geralmente cicatriza espontaneamente
  • Otite média recorrente: ≥ 3 episódios em 6 meses ou ≥ 4 episódios em 12 meses

Complicações Graves (< 1%)
  • Mastoidite: infeção do osso mastoide
  • Meningite: infeção das meninges que envolvem o cérebro
  • Abcesso cerebral: acumulação de pus numa área delimitada no cérebro
  • Trombose dos seios venosos: coágulo nas veias cerebrais
  • Paralisia facial: lesão do nervo facial com paralisia dos músculos da face

Complicações a Longo Prazo
  • Perda auditiva permanente: rara, mas possível
  • Atraso na linguagem: se otites recorrentes
  • Colesteatoma: crescimento anormal de pele no ouvido médio

PREVENÇÃO: ESTRATÉGIAS EFICAZES 

  • Aleitamento materno exclusivo até 6 meses
  • Evitar exposição ao fumo do tabaco
  • Reduzir o uso da chupeta após 12 meses
  • Posição vertical durante e após as refeições
  • Higiene das mãos rigorosa
  • Vacinação completa (PCV20, VSR, Hib, Influenza) 
  • Controlo da rinite alérgica e da asma
  • Evitar alergénios conhecidos

Quando Considerar Adenoidectomia*
  1. Hipertrofia adenoideia obstrutiva
  2. Otites médias recorrentes refratárias
  3. Apneia obstrutiva do sono

E Tubos de Ventilação (Drenagem Transtimpânica)?*
  1. ≥ 3 episódios de OMA em 6 meses
  2. ≥ 4 episódios em 12 meses
  3. Otite média serosa persistente > 3 meses com perda auditiva

* A decisão é sempre individualizada e tomada pelo ORL.

MITOS SOBRE OTITE MÉDIA

"Água no ouvido causa otite média" → A otite média é uma infeção interna
"Cortar o cabelo previne otites" → Não há qualquer relação
"Otites são sempre contagiosas" → A otite em si não é contagiosa
"Antibióticos devem ser sempre prescritos" → Muitos casos resolvem sem antibióticos

OTITES RECORRENTES: UM DESAFIO ESPECIAL 

Definição
≥ 3 episódios em 6 meses ou ≥ 4 episódios em 12 meses 

Investigação Adicional
  1. Avaliação imunológica (deficiências imunitárias)
  2. Estudo alergológico
  3. Avaliação audiológica
  4. RX Cavum – Avaliação de Hipertrofia das Adenóides
  5. TC ou RMN (se suspeita de malformações)

CONCLUSÃO

A otite média aguda é uma condição comum, mas potencialmente grave, que afeta milhões de crianças em todo o mundo. O conhecimento adequado dos seus sinais, fatores de risco e opções de tratamento permite aos pais uma resposta rápida e eficaz, minimizando o sofrimento da criança e prevenindo complicações.

A abordagem moderna da otite média aguda privilegia o equilíbrio entre o tratamento necessário e a prevenção da resistência aos antibióticos. Nem todos os casos requerem antibióticos imediatos – muitos podem ser tratados com vigilância ativa e medidas de suporte.

A prevenção continua a ser a melhor estratégia: aleitamento materno, vacinação adequada, evitar o fumo do tabaco e manter uma boa higiene são medidas simples mas extraordinariamente eficazes.

Lembrem-se: ante a dúvida, contactem sempre o vosso pediatra. Uma avaliação profissional é fundamental para o diagnóstico correto e tratamento adequado. A saúde auditiva do vosso filho é preciosa – cuidem dela com carinho e conhecimento.

Partilhem nos comentários: Já passaram pela experiência de uma otite média com os vossos filhos? Como foi? Que estratégias de alívio da dor resultaram melhor? As vossas experiências podem ajudar outras famílias!



REFERÊNCIAS

  • American Academy of Pediatrics. Clinical Practice Guideline: The Diagnosis and Management of AcuteOtitis Media. Pediatrics. 2023.
  • Sociedade Portuguesa de Pediatria. Consenso sobre Otite Média Aguda. 2022.
  • Organização Mundial de Saúde. Guidelines for the Management of Common Childhood Illnesses. 2024.
  • European Society for Paediatric Infectious Diseases. Management of Acute Otitis Media in Children. 2023. 

domingo, 3 de agosto de 2025

PREVENÇÃO DA OBESIDADE INFANTIL: PASSOS PRÁTICOS PARA PAIS 🍎👨‍👩‍👧‍👦

A obesidade infantil é um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Em Portugal, cerca de 29% das crianças entre os 6 e os 9 anos apresentam excesso de peso ou obesidade (COSI, 2023). Mais do que números, falamos de autoestima, bem-estar físico e prevenção de doenças futuras. Este guia prático destina-se a apoiar pais e cuidadores na criação de hábitos saudáveis desde cedo. 🌟


1. O que é a obesidade infantil? 🤔
Define-se por um índice de massa corporal (IMC) ≥ percentil 97 para idade e sexo, segundo as curvas da Organização Mundial da Saúde. O excesso de peso corresponde ao IMC entre os percentis 85 e 97. A obesidade não é um problema estético apenas: associa-se a diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, problemas ortopédicos e impacto emocional (bullying, baixa autoestima). 💔

1.1 Fatores de risco ⚠️

• Genética e história familiar
• Excesso de ganho ponderal na gravidez
• Introdução precoce de alimentos hipercalóricos (< 4 meses)
• Sedentarismo (≥ 2 h/dia de ecrã) 📱
• Sono insuficiente (< 10–11 h nas idades escolares) 😴
• Ambiente "obesogénico" (publicidade, fast-food acessível, pouco espaço para brincar)


2. Avaliar e reconhecer sinais de alerta 🚨
O pediatra deve calcular IMC (índice de massa corporal) em todas as consultas de rotina. No dia-a-dia bserve se:

• Roupas deixam de servir rapidamente. 👕
• A criança perde fôlego em brincadeiras leves. 😮‍💨
• Surgem estrias ou zonas escuras na nuca/axilas (acantose nigricans).


3. Cinco Pilares para Prevenir a Obesidade 🏛️

3.1 Alimentação equilibrada 🥗
• Prato colorido: metade hortícolas, 1⁄4 proteína magra, 1⁄4 hidratos integrais. 🌈
• Evitar bebidas açucaradas; privilegiar água e leite. 💧🥛
• Pequenos-almoços ricos em fibra e proteína (ex.: aveia + iogurte natural + fruta). 🥣
• Guloseimas? Reserve-as para ocasiões especiais, sem "demonizar". 🍭
• Leitura de rótulos: < 5 g de açúcar por 100 g é regra-dourada. 🏷️

3.2 Atividade física diária 🏃‍♂️
A OMS recomenda ≥ 60 min de atividade moderada a vigorosa por dia. Sugestões:
• Caminhar ou pedalar para a escola. 🚶‍♀️🚴‍♂️
• Jogos no parque (escondidas, bola, corda). ⚽
• Dança ou artes marciais para os que não gostam de "desporto tradicional". 💃🥋

3.3 Sono reparador 😴
Sono insuficiente altera hormonas da saciedade (leptina, grelina). Crie rotina:
• Horário regular; ecrãs desligados 60 min antes. 📵
• Quarto escuro, silencioso, 18–20 °C. 🌙

3.4 Gestão emocional e relação com a comida 💭
• Evite usar comida como recompensa ou consolo.
• Ensine a criança a reconhecer fome vs. tédio.
• Pratique alimentação consciente: mastigar devagar, saborear. 🧘‍♀️

3.5 Ambiente familiar saudável 🏠
• Pais como modelo: comer o mesmo, exercitar-se juntos. 👨‍👩‍👧‍👦
• Refeições em família ≥ 5 vezes/semana reduzem risco de obesidade em 32%. 🍽️
• Cozinhar em casa > 4 vezes/semana corta ingestão média de 150 kcal/dia. 👨‍🍳

4. Dicas práticas para cada faixa etária 📊
0–2 anos 👶 Aleitamento materno exclusivo 6 m; evitar sumos; introduzir sólidos ricos em ferro e vegetais variados.

3–5 anos 🧒 Transformar legumes em sopas coloridas; jogos de corrida curtos; hora deitar ≤ 20h30.

6–9 anos 👧 Lanche escolar: fruta + pão integral; transporte ativo para escola; envolver criança nas compras.

10–12 anos 🧑 Ensinar leitura de rótulos; apps que contam passos; limite 2 h/dia ecrã recreativo.

13–17 anos 👦 Incentivar desportos de equipa; autonomia na confeção de snacks saudáveis; debate sobre marketing alimentar.


5. Como lidar com obstáculos comuns 🚧
• Falta de tempo para cozinhar > preparar legumes lavados no fim-de-semana. ⏰
• Negociação constante de doces > definir "dia da guloseima" (ex.: segundo sábado do mês). 🗓️
• Clima chuvoso > brincadeiras ativas em casa (dançar, yoga infantil). 🌧️
• Ambiente escolar > sugerir ao agrupamento "dia da fruta" e água na cantina. 🏫


Conclusão ✨
A prevenção da obesidade infantil depende de pequenas escolhas diárias que, somadas, fazem uma grande diferença. Comece hoje: escolha uma dica deste guia e implemente-a em família.

💬 Partilhe nos comentários: Qual destas estratégias vai experimentar primeiro? Como tem sido a vossa experiência em criar hábitos saudáveis em casa? Que obstáculos encontram no dia-a-dia? As vossas histórias inspiram outras famílias!

📚 Quer mais dicas sobre alimentação infantil? Vejam os nossos artigos sobre diversificação alimentar e aleitamento materno. Juntos faremos da comunidade C: Kids um espaço mais saudável! 🌟



Referências 📖

1. Organização Mundial da Saúde. Guideline on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age. Genebra, 2024.

2. Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Lisboa, 2023.

3. COSI Portugal. Relatório 2023: Prevalência de excesso de peso e obesidade infantil.

4. American Academy of Pediatrics. Clinical Report: The Role of the Pediatrician in Primary Prevention of Obesity. Pediatrics, 2022.




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