domingo, 7 de dezembro de 2025

ASMA EM IDADE PEDIÁTRICA, COMO TRATAR?

A asma controlada significa vida normal para o seu filho. Sem limitações. Sem urgências desnecessárias. Sem noites mal dormidas. 😴

Mas para isso é essencial compreender como os medicamentos funcionam e, principalmente, como usar corretamente os dispositivos inalatórios. Este guia desmistifica tudo! 📋


⚠️ PRINCÍPIO FUNDAMENTAL ⚠️


Segundo as diretrizes internacionais GINA 2024 e 2025, TODOS os doentes com asma devem receber tratamento contendo corticoides inalados, mesmo em crises agudas. O tratamento apenas com broncodilatadores isolados aumenta o risco de exacerbações graves. 


💉 OS DOIS TIPOS DE MEDICAÇÃO 💉


🌬️ Medicamentos de Alívio Rápido (Resgate)


Para usar QUANDO surgem sintomas:

✅ Relaxam rapidamente o músculo liso das vias respiratórias

✅ Atuam em MINUTOS (2-5 minutos) ⏱️

✅ Usam-se para sintomas súbitos (pieira, tosse, falta de ar)

✅ Podem ser usados antes do exercício, se necessário 🏃


⚠️ IMPORTANTE: Este medicamento trata os sintomas MAS NÃO trata a inflamação subjacente.


🔔 Se o seu filho necessita de broncodilatador mais de 2 vezes por semana, significa que a asma NÃO está bem controlada!


🛡️ Medicamentos Controladores (Preventivos)


Para usar DIARIAMENTE, mesmo quando a criança se sente bem:

✅ Corticoides inalados (budesonida, fluticasona): reduzem a inflamação das vias respiratórias

✅ Doses baixas são SEGURAS e eficazes para a maioria das crianças

✅ Tomam-se diariamente, todos os dias, sem exceção 📅

✅ Inaladores combinados (ICS-LABA): contêm corticoide + broncodilatador de longa ação

✅ Montelucaste (oral): alternativa ou terapia adjuvante


🚀 CÂMARAS EXPANSORAS: ABSOLUTAMENTE ESSENCIAIS 🚀


Se o seu filho usa inalador pressurizado (MDI), a câmara expansora é FUNDAMENTAL:


✨ Eliminam o problema de coordenação mão-pulmão

📈 Aumentam a deposição pulmonar de <20% para 30-40%

🎯 Reduzem efeitos secundários

💪 Funcionam tão bem como nebulizadores

👶 Permitem respiração corrente em crianças pequenas


🚨 Em pediatria, o uso direto na boca dos inaladores pressurizados NÃO é recomendado – devem SEMPRE ser utilizados com câmara expansora!


👶 COM MÁSCARA OU COM BUCAL? 👶


COM MÁSCARA FACIAL:

✅ Até aos 4 anos: sempre com máscara

✅ Dos 4 anos à adolescência: podem continuar com máscara se preferirem

✅ A máscara deve ficar bem adaptada ao nariz e boca, sem fugas


COM BUCAL:

✅ A partir dos 4 anos: podem começar a usar bucal se colaborarem

✅ Mais eficaz que a máscara (melhor deposição pulmonar)

✅ Requer que a criança consiga morder o bucal e respirar corretamente


💡 O importante é que a criança se sinta confortável e a técnica seja bem executada!


🔧 TÉCNICA CORRETA: PASSO A PASSO 🔧


COM MÁSCARA FACIAL (< 4 anos):


1️⃣ Criança calma, sem chorar (pode estar a dormir) 😴

2️⃣ Posição sentada, câmara na horizontal

3️⃣ Agitar o inalador 4-5 vezes

4️⃣ Adaptar o inalador à câmara em posição "L"

5️⃣ Adaptar bem a máscara à boca e nariz, evitando fugas

6️⃣ Pressionar o inalador UMA vez

7️⃣ Manter a máscara bem adaptada durante 5-6 respirações (20-30 segundos)

8️⃣ Se necessária outra dose, esperar 30-60 segundos e repetir

9️⃣ Lavar a boca após inalação de corticoides 💧


COM BUCAL (≥ 4 anos):


1️⃣ Agitar o inalador 4-5 vezes

2️⃣ Inserir no espaçador

3️⃣ Colocar entre os lábios fechados (dentes e língua não devem obstruir)

4️⃣ Pressionar UMA vez

5️⃣ Respirar lenta e profundamente OU fazer 5-6 respirações correntes

6️⃣ Segurar respiração 10 segundos ⏱️

7️⃣ Esperar 30-60 segundos antes do próximo puff

8️⃣ Lavar a boca após corticoides 💧


❌ ERROS MAIS COMUNS (EVITE-OS!) ❌


Com câmara expansora:

❌ Fugas na máscara facial

❌ Não manter a máscara adaptada tempo suficiente

❌ Administrar medicação com a criança a chorar

❌ Carregar várias doses ao mesmo tempo na câmara

❌ Não agitar o inalador antes de usar


Com inaladores em geral:

❌ Não esperar 30-60 segundos entre inalações

❌ Inspiração demasiado rápida

❌ Não lavar a boca após corticoides


💡 A demonstração repetida da técnica inalatória está associada a uma redução significativa da taxa de erro!


🧼 MANUTENÇÃO DA CÂMARA EXPANSORA 🧼


Limpeza semanal a mensal:

1️⃣ Desmontar as peças possíveis

2️⃣ Colocar em recipiente com água morna e detergente (2 gotas/litro)

3️⃣ Deixar submerso 15 minutos a 1 hora

4️⃣ NÃO esfregar nem secar com pano – deixar secar ao ar na posição vertical ☀️

5️⃣ A fina camada de detergente que permanece ajuda a reduzir a eletricidade estática

6️⃣ Substituir a câmara anualmente


💡 A prescrição de câmaras expansoras é comparticipada em 80% do valor, sendo possível prescrever uma por ano por paciente! 💰


❌ MITOS PERIGOSOS SOBRE MEDICAÇÃO ❌


❌ MITO: "Os corticoides inalados atrasam o crescimento"

✅ VERDADE: Os efeitos no crescimento são PEQUENOS e clinicamente INSIGNIFICANTES. A altura adulta final NÃO é afetada. Os benefícios superam LARGAMENTE os riscos mínimos. 📏


❌ MITO: "Vou dar o medicamento apenas quando a criança tem sintomas"

✅ VERDADE: Os medicamentos controladores PREVINEM sintomas. Usar apenas medicação de alívio deixa a inflamação a danificar os pulmões. 🔥


❌ MITO: "Se a criança não tem sintomas, não precisa medicação"

✅ VERDADE: A inflamação está presente MESMO sem sintomas óbvios. Continuar diariamente protege os pulmões. 💪


🎯 ESTRATÉGIAS PARA GARANTIR ADESÃO 🎯


1. Associe a medicação a uma rotina:

✅ Sempre no mesmo local e à mesma hora ⏰

✅ Sempre após uma atividade (ex: escovagem de dentes) 🪥


2. Crie responsabilidade partilhada:

✅ Crianças mais velhas ajudam a preparar

✅ Use tabelas de acompanhamento 📊

✅ Celebre os "dias verdes" 🎉


3. Torne positivo, não punitivo:

✅ "Este medicamento deixa-te correr mais rápido!" 🏃

✅ "Protege os teus pulmões"

✅ Nunca use como punição 🚫


4. Mantenha inalador acessível:

✅ Em casa, escola, mochilas 🎒

✅ Tenha sempre cópia do plano de ação


📊 ASMA BEM CONTROLADA SIGNIFICA 📊


✅ Zero ou mínimos sintomas diurnos

✅ Zero despertares noturnos 🌙

✅ Participação plena em desportos e atividades ⚽

✅ Função pulmonar normal ou quase normal

✅ Uso mínimo de medicação de alívio

✅ Zero ou raras visitas às urgências 🏥


Se o seu filho não está assim, fale com o pediatra sobre ajustar o tratamento. 📞


💝 MENSAGEM FINAL 💝


O sucesso do tratamento da asma depende de dois pilares fundamentais:

1️⃣ Medicação consistente, todos os dias

2️⃣ Técnica inalatória correta


A medicação funciona. Mas APENAS se usada consistentemente e da forma correta. Este é o segredo para uma criança com asma ter uma vida absolutamente normal. ✨


Bom controlo = vida normal = futuro brilhante 🌈


💬 PARTILHE A SUA EXPERIÊNCIA 💬


Que dispositivo utiliza com o seu filho? Tem dificuldades com a técnica? Como garante a toma diária da medicação? Partilhe nos comentários – pode ajudar outros pais! 💚


📚 REFERÊNCIAS 📚


📘 Global Initiative for Asthma (GINA) – Diretrizes 2024 e 2025

📘 Direção-Geral da Saúde (DGS) – Normas sobre Asma

📘 Sociedade Portuguesa de Pneumologia – Recursos educativos

📘 Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica


💚 C: Kids – Blogue da Clínica Pediátrica Coronado

✅ Informação fiável sobre saúde infantil para pais e cuidadores

🔗 https://pediatricacoronado.blogspot.com/


Este conteúdo tem fins educativos e não substitui consulta médica. Consulte sempre o pediatra do seu filho. ✅

sábado, 29 de novembro de 2025

ASMA? O QUE É? COMO RECONHECER?

A asma é uma das doenças crónicas mais comuns na infância, mas a boa notícia é que, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria das crianças pode ter uma vida completamente normal!  Este guia ajuda-o a reconhecer os sinais que não deve ignorar.

📊 A REALIDADE EM PORTUGAL 📊

Em Portugal, a asma afeta 8,4% das crianças e adolescentes — aproximadamente 175 mil jovens. 😟 Infelizmente, metade destas crianças não tem a doença adequadamente controlada, o que resulta em mais de 500 mil dias de escola perdidos por ano.

Mas há esperança! ✨ Com diagnóstico precoce e tratamento correto, a grande maioria das crianças com asma pode participar plenamente em todas as atividades e ter qualidade de vida excelente.


🫁 O QUE É A ASMA? 🫁

A asma é uma doença inflamatória crónica das vias respiratórias que se caracteriza por episódios recorrentes de dificuldade respiratória. Durante uma crise asmática, três alterações simultâneas dificultam a respiração:

1. Broncoconstrição 💪 — O músculo liso que envolve os brônquios contrai, estreitando as vias aéreas

2. Inflamação 🔥 — As paredes das vias aéreas incham

3. Hipersecreção de muco 💧 — Produção de muco espesso que obstrui as passagens de ar

Esta combinação provoca os sintomas característicos: pieira, tosse, falta de ar e aperto no peito.


🧬 PORQUE ACONTECE? FATORES DE RISCO 🧬

👨‍👩‍👧 Predisposição Genética

Crianças com pais ou familiares com asma, alergias, eczema ou rinite alérgica têm risco substancialmente aumentado. ⚠️

Importante: Isto NÃO significa que a criança terá asma com certeza — significa apenas que tem predisposição genética que pode ou não manifestar-se.

🌪️ O Que Desencadeia as Crises?

1. Alergénios Domésticos 🏠

Ácaros do pó: Vivem em colchões, almofadas, sofás e tapetes — são o alergénio mais comum e importante

Pelos de animais: Especialmente gatos e cães (curiosidade: o alergénio de gato encontra-se na maioria das casas portuguesas mesmo sem animal presente!)

Baratas e roedores: Os alergénios de ratazanas representam atualmente o alergénio urbano mais relevante

Mofo: Prospera em ambientes húmidos e pode levar ao desenvolvimento de asma

2. Infeções Virais — A Causa Mais Comum 🦠

Cerca de 75% das crianças com asma têm exacerbações desencadeadas por vírus:

Rinovírus (constipação comum) — o desencadeador viral mais frequente

Vírus Sincicial Respiratório (VSR) — pode causar bronquiolite em bebés

Vírus da gripe

3. Tabagismo Passivo — Completamente Evitável 🚭

O fumo de tabaco é extremamente prejudicial:

A exposição pré-natal aumenta o risco de asma em 30-85%

A exposição pós-natal aumenta o risco em 24-70%

O fumo contém mais de 7.000 químicos, incluindo 70 carcinogénicos

NUNCA fume dentro de casa ou no carro. Sem exceções. 🚫🏠🚗

4. Outros Desencadeadores ⚡

Exercício físico vigoroso, especialmente em ar frio 🏃

Poluição atmosférica (interior e exterior) 🏭

Ar frio e mudanças súbitas de temperatura ❄️

Emoções fortes (rir, chorar, gritar) 😂😭

Odores intensos (tintas, produtos de limpeza, perfumes) 🧴 

🔍 SINAIS QUE DEVE RECONHECER 🔍

🌬️ Pieira ou Sibilância

Som agudo semelhante a um assobio quando a criança expira.

⚠️ Nem todas as crianças com asma têm pieira!

DICA: Grave o som no telemóvel para mostrar ao médico. 📱🩺

😷 Tosse Persistente

Especialmente noturna e matinal. Pode ser o único sinal óbvio de asma.

Características que alertam:

Dura mais tempo que a tosse de constipações típicas (mais de 2-3 semanas) ⏰

Piora com exercício, riso ou ar frio 🏃

Frequentemente interrompe brincadeiras ou sono 😴

😤 Dificuldade Respiratória

Sensação de não conseguir ar suficiente.

Em bebés, fique atento a: 👶

Dificuldade em mamar 🍼

Choro mais suave que o habitual 😢

Dilatação das narinas a cada respiração 👃

💔 Aperto no Peito

Descrito como sensação de pressão. Crianças mais novas podem dizer que o peito "está esquisito" ou "dói".

😮‍💨 Cansaço e Intolerância ao Exercício

Cansaço invulgar durante brincadeiras 🎮

Incapacidade de acompanhar outras crianças da mesma idade 👫

Paragens frequentes para descansar 🛑

🌙 Padrão Típico

Os sintomas são tipicamente PIORES:

À noite 🌙

De manhã cedo ☀️

Variam ao longo do tempo e MELHORAM com broncodilatador de ação rápida. 💨 


⚠️ QUANDO CONSULTAR O PEDIATRA? ⚠️

Contacte o pediatra se o seu filho apresentar:

🚨 Tosse que persiste mais de 2-3 semanas

🚨 Pieira recorrente

🚨 Falta de ar durante brincadeiras

🚨 Acordar à noite com tosse

🚨 Cansaço fácil durante atividades

🚨 Aperto no peito referido pela criança

🆘 URGÊNCIA — Ligue 112 se: 🆘

🚑 Dificuldade respiratória grave em repouso

🚑 Lábios ou extremidades azuladas

🚑 Incapacidade de falar frases completas

🚑 Sons de peito "silencioso" (pieira desaparece, mas respiração difícil — sinal grave!)

🚑 Cansaço extremo ou confusão

 

🩺 COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO? 🩺

O diagnóstico da asma varia conforme a idade da criança:

👶 Crianças com Menos de 5 Anos

Como não conseguem realizar testes de função pulmonar de forma fiável, o diagnóstico baseia-se em três critérios clínicos (GINA 2025):

1. ✅ Episódios recorrentes de pieira aguda

2. ✅ Ausência de causa alternativa provável

3. ✅ Resposta clínica a medicamentos para asma (ensaio terapêutico de 2-3 meses)

O médico avaliará cuidadosamente a história clínica e o padrão de sintomas recorrentes, excluindo outros diagnósticos.

🧒 Crianças dos 5 aos 11 Anos

Nesta idade, podem realizar testes objetivos:

1. Espirometria 🌬️📊

O teste fundamental que mede a função pulmonar

Identifica padrão obstrutivo característico da asma

Avalia o Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF₁)

2. Teste de Reversibilidade (Broncodilatação) 🔄

Espirometria antes e após broncodilatador

Aumento ≥12% no VEF₁ confirma que a limitação do fluxo aéreo é reversível

3. FeNO (Fração de Óxido Nítrico Exalado) 💨

Níveis elevados (>25-35 ppb) indicam inflamação eosinofílica das vias aéreas

Marcador útil de inflamação tipo 2

4. Peak Flow (Pico de Fluxo Expiratório) 📈

Mede a velocidade máxima de expiração

Variabilidade >13% sugere asma

Útil para monitorização em casa

👦 Adolescentes (≥12 anos)

Seguem os mesmos critérios diagnósticos dos adultos:

Espirometria com teste de broncodilatação 🌬️

FeNO (valores >40 ppb altamente sugestivos) 💨

Testes de provocação brônquica se espirometria normal com alta suspeita clínica 🧪

Peak Flow com variabilidade diurna 📊

 

🧪 OUTROS EXAMES AUXILIARES 🧪

Exames de Imagem:

Radiografia de tórax: Para exclusão de diagnósticos diferenciais, não necessária rotineiramente 📸

Testes Alérgicos:

Testes cutâneos (Prick test): Identificação de sensibilização alérgica 💉

IgE total e específica: Útil para diagnóstico de asma alérgica 🧬

Biomarcadores:

Eosinófilos sanguíneos: ≥300 células/μL indica inflamação tipo 2 🔬

Úteis para fenotipagem e orientação terapêutica

 

❌ MITOS PERIGOSOS QUE DEVE IGNORAR ❌

❌ MITO: "É só uma tosse, passa sozinha"

✅ VERDADE: A asma infantil não melhora sem tratamento. O atraso causa dano pulmonar permanente que não pode ser recuperado. ⚠️

❌ MITO: "As crianças vão ultrapassar a asma"

✅ VERDADE: Apenas 10-20% ficam permanentemente livres de sintomas. O controlo precoce melhora resultados significativamente. 👍

❌ MITO: "Asma ligeira não é grave"

✅ VERDADE: Toda a asma pode ser ameaçadora da vida. Um terço das mortes por asma ocorre em crianças com asma ligeira! 💔

 

🎯 PRÓXIMOS PASSOS 🎯

Se suspeita que o seu filho tem asma:

1. 📅 Agende consulta com o pediatra

2. 📝 Leve uma lista dos sintomas observados

3. 📱 Grave vídeos ou áudio de pieira se houver

4. ⏰ Registe padrões: quando pioram, quanto tempo duram

5. 👨‍👩‍👧 Mantenha registo de antecedentes familiares

Diagnóstico precoce = melhor controlo = vida normal para a criança! 🚀

 

💬 PARTILHE A SUA EXPERIÊNCIA 💬

Tem um filho com sintomas semelhantes? Como tem sido a sua experiência? Qual foi o primeiro sinal que notou? Partilhe nos comentários — a sua história pode ajudar outras famílias! 👥💚

 

📚 REFERÊNCIAS 📚

📘 Global Initiative for Asthma (GINA) — Diretrizes 2025

📘 Direção-Geral da Saúde (DGS) — Normas sobre Asma

📘 Sociedade Portuguesa de Pneumologia — Recursos educativos

📘 Estudo Epi-Asthma 2024 — Prevalência da asma em Portugal

 

💚 C: Kids — Blogue da Clínica Pediátrica Coronado

✅ Informação fiável sobre saúde infantil para pais e cuidadores

🔗 https://pediatricacoronado.blogspot.com/

Este conteúdo tem fins educativos e não substitui consulta médica. Consulte sempre o pediatra do seu filho. ✅





segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O luto na infância - como lidar de forma consciente




A parentalidade consciente convida-nos a estar verdadeiramente presentes e acolher as emoções das crianças com empatia e autenticidade. No luto, isso é especialmente importante.


Partilhamos neste artigo alguns princípios fundamentais:

- Honestidade emocional

Não esconda a sua própria tristeza. As crianças precisam ver que adultos também sentem e que está tudo bem chorar. Isso valida as emoções delas e ensina que os sentimentos difíceis são naturais e podem ser expressos de forma saudável.


- Comunicação clara e apropriada à idade

Use palavras verdadeiras como "morreu" ao invés de eufemismos como "foi viajar" ou "está a  dormir" "está num sono profundo", etc.

    - Adapte a explicação à capacidade de compreensão da criança

    - Permita perguntas repetidas - crianças processam informações aos poucos


- Presença genuína

Estar disponível emocionalmente é mais importante do que ter respostas perfeitas. Sente-se com a criança no desconforto, sem tentar "consertar" rapidamente a dor dela.

    - Como praticar?

        - Valide todos os sentimentos

        "É normal sentir raiva/tristeza/confusão. Não existe nada de errado em sentir saudade."

        - Crie rituais de memória

        Desenhar, fazer um álbum, acender uma vela, plantar uma árvore - rituais ajudam as  crianças a processar concretamente.

        - Mantenha rotinas

        A previsibilidade oferece segurança no meio do caos emocional.

        - Observe sem julgar

        As crianças podem alternar rapidamente entre tristeza profunda e brincadeiras alegres. Isso é saudável e normal.


Se a criança apresentar alteração comportamental significativa, problemas de sono, quebra no rendimento escolar, comportamentos regressivos, isolamento social ou agressividade procure apoio profissional! 

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Cigarros Eletrónicos e Vaping: O Perigo Escondido Atrás dos Sabores e do Vapor

O seu filho adolescente chegou a casa com um objeto que parece um pen drive colorido? Ou talvez tenha reparado num aroma adocicado a morango ou baunilha no quarto dele? Atenção: pode não ser um simples gadget tecnológico, mas sim um cigarro eletrónico - também conhecido como vapeNos últimos anos, assistimos a uma verdadeira epidemia silenciosa entre os jovens. Enquanto o tabagismo tradicional diminuía graças a décadas de campanhas de saúde pública, surgiu uma nova ameaça disfarçada de modernidade e "segurança": os dispositivos eletrónicos para fumar. Com design apelativo, sabores doces e uma falsa promessa de serem "menos perigosos", estes aparelhos conquistaram milhões de adolescentes em todo o mundo.

Os números são alarmantes: nos Estados Unidos, apesar de uma redução recente, ainda cerca de 5,9% dos estudantes do ensino básico e secundário usaram cigarros eletrónicos em 2024 - o que representa aproximadamente 1,6 milhões de jovens. No Brasil, um em cada nove adolescentes já experimenta estes dispositivos, sendo o uso cinco vezes superior ao do cigarro tradicional.

O mais preocupante? A maioria dos pais não sabe identificar estes aparelhos, que podem ter o formato de canetas, pen drives, ou até relógios. E muitos jovens nem sequer se consideram "fumadores", ignorando completamente os riscos que correm.

O Que São os Cigarros Eletrónicos?

Os cigarros eletrónicos, conhecidos também como vapes, pods ou DEF (Dispositivos Eletrónicos para Fumar), são aparelhos alimentados por bateria que aquecem uma solução líquida - o chamado e-líquido ou juice - produzindo um vapor ou aerossol que é inalado.

Composição do e-líquido:

  • Nicotina (em concentrações variáveis, muitas vezes superiores às do cigarro tradicional) 
  • Propilenoglicol ou glicerina vegetal
  • Aromatizantes e saborizantes (morango, manga, menta, chocolate, etc.)
  • Substâncias químicas potencialmente tóxicas

A grande diferença do cigarro tradicional: Enquanto quem fuma um maço de cigarros dá cerca de 200-250 inalações por dia, um utilizador de vape pode dar entre 500 a 1500. Além disso, os cigarros convencionais têm um limite de 1 mg de nicotina por unidade no Brasil, mas os vapes podem conter até 57 mg de nicotina por ml de líquido.

Os Riscos para a Saúde dos Jovens

1. Dependência de Nicotina

A nicotina é uma substância altamente viciante que chega ao cérebro em apenas 6 a 10 segundos após a inalação. Nos adolescentes, cujo cérebro ainda está em desenvolvimento até cerca dos 25 anos, a nicotina causa alterações permanentes no sistema nervoso central, afetando:
  1. Memória e concentração
  2. Controlo dos impulsos
  3. Humor e comportamento
  4. Risco aumentado de dependência futura de outras substâncias

2. Doenças Pulmonares Graves

EVALI (Lesão Pulmonar Associada ao Uso de Cigarro Eletrónico): Esta doença grave surgiu em 2019 nos Estados Unidos, afetando principalmente jovens. Os sintomas incluem:

  • Tosse persistente Falta de ar
  • Dor torácica
  • Febre e calafrios
  • Náuseas, vómitos e diarreia
  • Pneumonia grave que pode evoluir rapidamente

"Pulmão de Pipoca" (Bronquiolite Obliterante): Alguns líquidos contêm diacetil e outras substâncias que, quando inaladas, causam inflamação e cicatrizes irreversíveis nos brônquios mais pequenos, levando a dificuldade respiratória permanente.

Outras complicações respiratórias:

  • Bronquite crónica Asma
  • Enfisema pulmonar Pneumonia

3. Risco Cardiovascular

A nicotina e outras substâncias presentes no vapor aumentam:

  1. Frequência cardíaca
  2. Pressão arterial
  3. Risco de arritmias
  4. Risco de enfarte do miocárdio (mesmo em jovens)

4. Risco de Cancro

Os e-líquidos contêm substâncias cancerígenas como:

  • Formaldeído
  • Acetaldeído
  • Acroleína
  • Metais pesados (chumbo, cádmio, urânio)
  • Nitrosaminas

Estudos já associam o uso de vapes a maior risco de cancro de pulmão, bexiga, esófago e estômago.

5. Porta de Entrada para o Tabagismo Tradicional

Contrariamente ao que muitos pensam, os cigarros eletrónicos não ajudam a parar de fumar. Na verdade, adolescentes que começam com vapes têm quatro vezes mais probabilidade de iniciarem o consumo de cigarros tradicionais.

Como os Pais Podem Identificar o Uso?

Sinais Físicos:

  • Tosse persistente sem causa aparente 
  • Falta de ar ou dificuldade respiratória 
  • Rouquidão
  • Sangramento nasal frequente
  • Feridas ou irritação na boca 
  • Aumento da sede Hemorragias nasais

Sinais Comportamentais:

  • Necessidade frequente de carregar dispositivos eletrónicos estranhos
  • Aromas adocicados (morango, baunilha, manga) em roupas, cabelo ou quarto 
  • Aumento de gastos inexplicáveis
  • Comportamento mais reservado ou isolamento
  • Irritabilidade ou mudanças de humor (sintomas de abstinência)
  • Procura frequente de privacidade (especialmente na casa de banho)

Objetos Suspeitos:

  • Aparelhos que parecem pen drives, canetas, relógios ou outros gadgets 
  • Pequenos frascos de líquidos coloridos
  • Embalagens com designs atrativos e cores vivas
  • Baterias e carregadores USB pequenos

Dicas Práticas para Pais: Prevenção e Intervenção

1. Comunique Abertamente

  • Converse sobre o tema antes que surjam suspeitas
  • Explique os riscos de forma clara e baseada em factos
  • Evite abordagens alarmistas ou punitivas que fechem o diálogo
  • Partilhe histórias reais de jovens afetados
  • Mostre que compreende a pressão dos pares, mas reforce que a saúde vem primeiro

2. Esteja Atento às Redes Sociais

  • Os vapes são promovidos intensamente no TikTok, Instagram e YouTube
  • Influencers promovem estes produtos como "modernos" e "seguros"
  • Converse sobre publicidade enganosa e marketing dirigido a jovens
  • Supervisione (sem invadir a privacidade) o conteúdo que o seu filho consome online

3. Dê o Exemplo

  • Se fuma (cigarro tradicional ou eletrónico), considere parar 
  • Mostre alternativas saudáveis para gerir o stress
  • Seja coerente entre o que diz e o que faz

4. Conheça os Amigos do Seu Filho

  • Mantenha contacto com outros pais
  • Organize atividades em grupo que permitam conhecer as amizades 
  • Esteja atento a mudanças no círculo social

5. Procure Ajuda Profissional

Se suspeita que o seu filho usa vapes, não hesite em consultar o pediatra Programas de cessação tabágica também funcionam para cigarros eletrónicos O apoio psicológico pode ser fundamental para compreender as motivações Em caso de sintomas respiratórios, procure avaliação médica urgente

6. Estabeleça Regras Claras

  • Defina consequências claras e consistentes
  • Reforce comportamentos positivos
  • Mantenha uma presença interessada mas não invasiva

7. Promova Atividades Saudáveis

  • Incentive desporto e atividades físicas
  • Apoie hobbies e interesses
  • Fortaleça a autoestima através de conquistas reais 
  • Crie momentos de lazer familiar

Contexto Legal em Portugal e no Mundo

Em Portugal: A venda de cigarros eletrónicos com nicotina é regulamentada, sendo proibida a venda a menores de 18 anos. No entanto, a fiscalização é difícil, especialmente com as vendas online.

No Brasil: A ANVISA proíbe a comercialização, importação e propaganda de todos os dispositivos eletrónicos para fumar desde 2009. Contudo, o uso pessoal não é banido, e o acesso através da internet ou comércio informal continua facilitado.

Nos Estados Unidos: Após uma epidemia de uso juvenil que atingiu 27,5% dos adolescentes em 2019, a FDA (Food and Drug Administration) implementou regulamentação rigorosa, conseguindo reduzir o consumo para 5,9% em 2024. A marca Elf Bar, por exemplo, viu a sua popularidade cair 36% após advertências às lojas.

Conclusão

Os cigarros eletrónicos não são a alternativa "segura" que a indústria promete. São, na verdade, uma nova estratégia para viciar uma nova geração em nicotina, disfarçada de tecnologia moderna e sabores apelativos.

Como pais e cuidadores, temos a responsabilidade de:

  1. Informar os nossos jovens sobre os riscos reais 
  2. Estar atentos aos sinais de uso
  3. Dialogar abertamente sem julgamento 
  4. Procurar ajuda quando necessário

Dar o exemplo de escolhas saudáveis

Lembre-se: não existe nível seguro de consumo de nicotina para crianças e adolescentes. O cérebro jovem é particularmente vulnerável aos efeitos desta substância, e as consequências podem ser permanentes. O vapor pode parecer inofensivo, mas os danos são muito reais. Proteja os seus filhos através da informação, do diálogo e da vigilância atenta mas respeitosa.

Participe!

E você, já conversou com os seus filhos sobre os riscos dos cigarros eletrónicos?

Partilhe connosco a sua experiência nos comentários:

  • Já encontrou um vape entre os pertences do seu filho? Como abordou o tema?
  • Que dificuldades enfrentou?
  • Que estratégias funcionaram?

A sua história pode ajudar outras famílias!

Tem dúvidas sobre este tema? Deixe a sua questão nos comentários. A equipa da Clínica Pediátrica Coronado está aqui para ajudar.


Referências e Fontes

  1. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Electronic cigarette use among adults in the United States, 2019–2023. NCHS Data Brief, no 524. Janeiro 2025.

  2. Food and Drug Administration (FDA). National Youth Tobacco Survey 2024. Estados Unidos, 2024.

  3. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Alertas sobre EVALI - Doença Pulmonar Associada ao Uso de

    Dispositivos Eletrónicos para Fumar.

  4. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Posicionamento sobre cigarros eletrónicos.

  5. Organização Mundial de Saúde (OMS). Relatório sobre dispositivos eletrónicos para fumar, 2024.

  6. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução sobre proibição de dispositivos eletrónicos para fumar no Brasil,

    2009.

  7. Terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD 3). Dados sobre uso de cigarro eletrónico entre adolescentes

    brasileiros, 2022-2024.

  8. Tobacco Control Journal. Estudo sobre exposição a metais tóxicos em adolescentes usuários de vapes, 2024. 

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

PHDA - Dentro de um Coração Inquieto

 PHDA - Dentro de um Coração Inquieto




      Uma criança com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) enfrenta diariamente desafios invisíveis aos olhos de muitos. Entre a agitação interior e a constante luta pela concentração, carrega o peso de um mundo que nem sempre entende a sua forma única de estar e sentir. Enquanto os outros exigem silêncio, foco e autocontrolo, ela trava uma batalha silenciosa contra impulsos que não escolhe ter. Cada tarefa simples pode transformar-se num obstáculo, e cada crítica deixa uma marca na sua frágil autoestima. "Só não consegues porque não queres" - afirmam repetitivamente. E é verdade muitas vezes. Só quem conhece e compreende bem a PHDA sabe da extrema dificuldade em iniciar ou manter-se numa tarefa sem motivação alguma...chamem a dopamina por favor!!! Questões de ordem neurológica infelizmente confundem-se com personalidade, com "malandrice...". 


        Na escola, o esforço é duplo: tentar acompanhar o ritmo dos colegas enquanto lida com o excesso de atenção a todos os estímulos à sua volta, a impaciência e a dificuldade em permanecer quieta. Ao ser repreendida por comportamentos que não consegue controlar, sente-se diferente, isolada e, muitas vezes, injustiçada. A frustração por não corresponder às expectativas transforma-se em tristeza e num sentimento de inadequação que a faz duvidar do seu próprio valor. 


        Em casa, os dias oscilam entre tentativas de foco e desânimo. Cada crítica, mesmo que bem-intencionada, reforça a sensação de ser “demais”, “difícil” ou “irresponsável”. Ainda assim, e às vezes com o seu tão frequente olhar vazio, essa criança continua a tentar — uma e outra vez — moldar-se a um mundo que parece exigir-lhe o impossível. Dentro dela há uma força que resiste: a vontade de provar que é capaz, apesar das suas diferenças. Quanta resiliência!!!! 


        No fundo, o que a criança com PHDA mais precisa não é de reprovações, mas de compreensão e apoio. Precisa que vejam o seu esforço e reconheçam que cada pequeno progresso é fruto de uma imensa coragem. Precisam que alguém as ajude com o "sistema de travões" quando a impulsividade domina ou redirecione o seu "GPS" já que tantas vezes se perdem no decorrer das atividades diárias. Precisam de um parceiro de responsabilidades, isto é, alguém que atua como um guia externo para as funções executivas (planeamento, organização, autocontrolo) que são mais frágeis numa criança com PHDA. Esta parceria não só ajuda na conclusão de tarefas, mas também ensina à criança, de forma gradual e consistente, as competências de que necessita para se tornar mais independente e confiante. 

            Por trás de cada impulso, há um coração que apenas quer ser aceite e amado! 

Um apelo a todos os pais e professores que acompanham estas crianças: 

não os deixem sós com as suas lutas! 

Pode demorar e ser exigente, mas o retorno virá e não raras vezes até na idade adulta surge o reconhecimento de um adulto que acreditou e manteve-se firme, sem nunca questionar ou duvidar do valor daquela criança! Ela é muito mais que os seus desafios, mostrem-lhe isso e sobretudo e sem hesitação, reforcem as suas qualidades e talentos naturais, os seus interesses!!! Quando os descobrem e decidem seguir esse caminho ... são imparáveis, apaixonados e intensamente dedicados! Facilmente se tornarão os melhores dos melhores!!!

domingo, 5 de outubro de 2025

BRONQUIOLITE: O QUE OS PAIS PRECISAM DE SABER

 A bronquiolite é uma das principais causas de hospitalização em bebés durante o outono e inverno. Conhecer os sinais e saber como agir pode fazer toda a diferença para ajudar o vosso filho a recuperar bem.

O que é a Bronquiolite?

É uma infeção viral que afeta os bronquíolos (pequenos canais de ar nos pulmões), causando inflamação, inchaço e acumulação de muco que dificultam a respiração, especialmente nos mais pequenos.

Principal agente:

Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em 70-80% dos casos. Outros agentes: rinovírus, adenovírus, vírus da gripe.

Maior risco:

Bebés com menos de 6 meses
Prematuros
Doenças cardíacas ou pulmonares crónicas
Sistema imunitário enfraquecido

Exposição ao fumo do tabaco

Como reconhecer a Bronquiolite?

Começa como uma constipação e evolui em 2-3 dias:

Sintomas iniciais:

Corrimento nasal, tosse ligeira, febre baixa (nem sempre) 

Evolução (dias 3-5):

Tosse frequente e intensa
Respiração rápida e superficial
Pieira (som agudo tipo 'assobio')
Tiragem (afundamento do peito entre costelas)
Dificuldade em mamar/comer
Irritabilidade e sono agitado

Sinais de alarme - Procurar urgência:

Lábios ou unhas azulados
Pausas respiratórias (apneia)
Recusa alimentar
Sonolência excessiva
Respiração muito rápida (>60/minuto no bebé)
Gemido ao respirar

Desidratação: boca seca, sem lágrimas, <4 fraldas molhadas/dia

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico:

Essencialmente clínico (história e observação). Casos graves podem necessitar radiografia, teste viral ou oximetria.

Tratamento de suporte (antibióticos NÃO funcionam):

Em casa:

Hidratação frequente
Cabeça elevada 30o
Ambiente húmido
Limpeza nasal com soro antes de comer/dormir
Refeições pequenas e frequentes

Repouso

No hospital (casos graves):

Oxigénio suplementar
Hidratação endovenosa
Monitorização contínua

Aspiração de secreções

Não fazer:

Medicamentos para tosse sem indicação médica
Vaporizações não recomendadas
Fumar perto da criança

Suspender amamentação

Prevenção: como proteger o seu bebé?

Medidas gerais:

Lavagem de mãos
Evitar multidões no inverno
Ambiente sem fumo
Amamentação
Limpeza de brinquedos

Evitar contacto com doentes


VACINAÇÃO ANTI-VSR: A GRANDE NOVIDADE!

Desde 2024, Portugal dispõe do nirsevimab (Beyfortus®), anticorpo monoclonal que oferece proteção durante toda a época VSR.

Não é vacina tradicional, mas anticorpo que confere imunidade passiva imediata e prolongada.

A quem se destina:

Todos os RN e lactentes no 1o ano

Até 24 meses com fatores de risco

Quando:

Nascidos outubro-março: logo após nascimento
Nascidos fora época: antes início circulação vírus

Dose única

Eficácia comprovada:

70-80% redução hospitalizações
75% redução formas graves

Proteção ~5 meses (época completa)

No PNV desde setembro 2024 - GRATUITA!

Evolução habitual

Dias 1-3: início, tipo constipação

Dias 3-5: pico sintomas respiratórios
Dias 5-7: melhoria gradual

Semanas 2-4: resolução (tosse pode persistir)

2-3% necessitam internamento, especialmente <3 meses.

Cuidar em Casa - Dicas Práticas

Hidratação:

Líquidos frequentes (leite materno/fórmula/água). Mamadas mais curtas e frequentes se necessário.

Alimentação:

Pequenas refeições, não forçar, privilegiar líquidos se difícil comer sólidos.

Respiração:

Lavar nariz com soro antes refeições/sono, elevar cabeceira, ar húmido, evitar fumo/irritantes.

Monitorizar:

Frequência respiratória, cor lábios, fraldas molhadas, estado alerta.

Febre:

Paracetamol se desconforto (sob orientação), não agasalhar demais.

Bronquiolite vs. Asma

São condições diferentes que importa distinguir:

Bronquiolite:

É o primeiro episódio de doença respiratória com pieira, sibilância e dificuldade respiratória na infância, provocado por infeção viral. Antes da vacina anti-VSR, era causada maioritariamente pelo Vírus Sincicial Respiratório. Trata-se de um episódio agudo que, na maioria dos casos, não se repete.

Asma infantil:

Refere-se a episódios recorrentes de tosse, sibilância/pieira e dificuldade respiratória, de qualquer causa. O diagnóstico de asma pressupõe pelo menos 3 episódios em 12 meses. É uma doença crónica inflamatória das vias aéreas que requer acompanhamento e tratamento específico.

Relação entre ambas:

Alguns bebés que tiveram bronquiolite podem desenvolver episódios recorrentes de pieira posteriormente. Uma percentagem destes evolui para asma, mas a maioria não.

O acompanhamento pediátrico regular permite identificar precocemente quem beneficia de vigilância mais apertada e tratamento específico.

Conclusão

A bronquiolite é comum e a maioria das crianças supera sem complicações. O essencial é reconhecer os sinais precocemente, saber quando procurar ajuda médica, manter a calma e cuidar com amor.

O nirsevimab representa um avanço significativo na proteção dos bebés contra formas graves de bronquiolite. Fale com o pediatra sobre esta e outras formas de manter o vosso filho saudável.

Partilhem:


JÁ VIVERAM UMA SITUAÇÃO DE BRONQUIOLITE? TÊM DÚVIDAS SOBRE A VACINA ANTI-VSR? OS VOSSOS COMENTÁRIOS AJUDAM-NOS A CRIAR CONTEÚDOS ÚTEIS PARA TODA A COMUNIDADE.



Referências

Direção-Geral da Saúde - Orientações Bronquiolite Sociedade Portuguesa de Pediatria
American Academy of Pediatrics - Clinical Practice Guideline Programa Nacional de Vacinação 2024 

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Pequenas Mentiras, Grandes Lições: Navegando pela Honestidade na Infância

 



Como pais e educadores, a nossa reação instintiva perante uma mentira pode ser de alarme. 
Será que estamos a criar uma criança desonesta? 
A resposta, felizmente, é mais tranquilizadora do que parece! 


 Porque é que as crianças mentem?


    Mentir é, paradoxalmente, um marco importante no desenvolvimento infantil. Quando uma criança de 3 ou 4 anos conta a sua primeira mentira deliberada, ela demonstra habilidades cognitivas sofisticadas: capacidade de imaginação, compreensão de que outras pessoas têm pensamentos diferentes dos seus, e a habilidade de manipular informações para alcançar um objetivo.

    As razões pelas quais as crianças mentem variam conforme a idade e o contexto. Os pequenos entre 2 e 4 anos frequentemente confundem fantasia com realidade - aquele "monstro debaixo da cama" é muito real para eles. Já as crianças maiores podem mentir para evitar consequências, chamar à atenção ou até proteger os sentimentos de alguém. Poderá em casos específicos ocorrer como mecanismo de fuga de uma realidade com a qual a criança tem dificuldade em lidar ou fantasiar como forma de criar uma realidade mais agradável. 


 Como cultivar a Honestidade


    1) Seja um modelo: As crianças são observadoras excepcionais. Se nos veem a mentir ou a inventar desculpas para cancelar compromissos, internalizam que a desonestidade é aceitável em certas situações.

    2) Crie um ambiente seguro para a verdade: Quando uma criança confessa uma traquinice voluntariamente, reconheça a sua honestidade antes de abordar o comportamento problemático. "Obrigada por me contares a verdade. Agora vamos conversar sobre o que aconteceu."

  3) Evite armadilhas: Perguntar "Quem deixou essa desarrumação?" quando já sabe a resposta coloca a criança numa posição difícil. É mais eficaz dizer: "Vejo que está tudo desarrumado para estes lados. Vamos limpar juntos e conversar sobre como evitar isso."

   4) Diferenciação entre fantasia e mentira: Incentive a imaginação, mas ajude a criança a distinguir entre histórias inventadas e relatos factuais. "Que história interessante! Isso aconteceu de verdade ou estás a inventar uma história?"


Como lidar com mentiras recorrentes


    Se mentir se tornou um padrão, é importante investigar as causas subjacentes. A criança está a sentir-se sobrecarregada com expectativas? Tem medo de desiludir alguém? Precisa de mais atenção? Às vezes, mentiras frequentes sinalizam questões emocionais mais profundas que merecem atenção.

    Estabeleça consequências consistentes e lógicas, focando mais na reparação do que na punição. Se a criança mentiu sobre não fazer o TPC, a consequência natural é completar a tarefa, e não ficar sem o tablet durante uma semana.


A Honestidade como valor familiar


    Transforme a honestidade num valor familiar! Conte histórias sobre pessoas que escolheram a verdade mesmo quando foi difícil. Discuta dilemas éticos apropriados para a idade durante o jantar. Mostre que valoriza a coragem moral tanto quanto outras conquistas.

Lembre-se de que mesmo adultos lutam com questões de honestidade. Ensinar as crianças a navegar nessas águas complexas é um processo contínuo que requer paciência, consistência e, acima de tudo, muito amor.


Construir confiança para o futuro


    A relação que construímos com os nossos filhos em torno da verdade hoje moldará a sua integridade futura. Crianças que crescem seguras para serem honestas, mesmo quando cometem erros, desenvolvem uma base sólida para relacionamentos saudáveis e tomada de decisões éticas ao longo da vida.

    A jornada da honestidade infantil não é linear, mas cada pequeno passo - cada verdade difícil compartilhada, cada mentira gentilmente corrigida - constrói o caráter que nossos filhos levarão para o mundo. E isso, definitivamente, vale todo o esforço 💗








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